Radiação ionizante: o essencial
O que é e de onde vem
Radiação ionizante tem energia suficiente para arrancar elétrons de átomos. No tomógrafo ela são os raios X, produzidos no tubo: elétrons acelerados por uma alta tensão (em geral entre 80 e 140 kV) colidem contra o ânodo, e uma pequena parte da energia dessa colisão sai como fótons de raios X.
Ideia central
O tubo só emite raios X enquanto a alta tensão está aplicada e há exposição. Desligada a exposição, a emissão cessa. O equipamento e a sala não ficam radioativos.
Três tipos de radiação na sala
| Tipo | O que é | Relevância para a equipe |
|---|---|---|
| Primária | O feixe útil que sai do tubo e atravessa o paciente | Fica dentro do gantry e termina nos detectores e nas blindagens do equipamento |
| Espalhada | Fótons desviados pelo paciente, pela mesa e pelo próprio gantry | É a principal fonte de exposição de quem está na sala |
| De fuga | Radiação que escapa pela blindagem do conjunto do tubo | Muito pequena em equipamento íntegro, limitada por norma |
Unidades que você vai ouvir
| Grandeza | Unidade | Para que serve |
|---|---|---|
| Dose absorvida | Gy (J/kg) | Energia depositada por massa de tecido |
| Kerma no ar | Gy | Medida de feixe no ar, usada em testes do equipamento |
| Dose efetiva | Sv | Estimativa de risco que pondera a sensibilidade de cada órgão |
| Taxa de dose | Gy/h ou Sv/h | Dose por unidade de tempo, usada em levantamentos radiométricos |
Em tomografia você verá muito mGy (milésimo de gray) e mSv (milésimo de sievert).
Efeitos biológicos
- Reações teciduais (determinísticas): só aparecem acima de um limiar de dose e pioram com a dose. Exemplos: vermelhidão da pele, queda de cabelo, catarata. Em tomografia diagnóstica normal ficam bem abaixo do limiar. Já ocorreram em casos raros de protocolos mal configurados e repetidos.
- Efeitos estocásticos: não têm limiar assumido. O que cresce com a dose é a probabilidade de câncer ou de efeitos hereditários, e não a gravidade. É por isso que se busca manter toda dose o mais baixa possível.
Ordens de grandeza
| Situação | Dose efetiva aproximada |
|---|---|
| Radiação natural, por ano (média mundial) | 2,4 mSv |
| Radiografia de tórax | 0,1 mSv |
| Tomografia de crânio | 2 mSv |
| Tomografia de tórax | 5 a 7 mSv |
| Tomografia de abdome e pelve | 8 a 10 mSv |
Valores aproximados para adultos. Variam bastante com o protocolo, o equipamento e o paciente.
Proteção radiológica na prática
Os princípios
- Justificação: o exame só se faz quando o benefício supera o risco.
- Otimização (ALARA): a dose deve ser a menor razoavelmente exequível para obter a imagem necessária.
- Limitação de dose: trabalhadores e público têm limites anuais.
Tempo, distância e blindagem
A exposição da equipe diminui se você fica menos tempo, mais longe e atrás de uma barreira. A distância é a mais poderosa: a taxa de dose cai com o quadrado da distância à fonte. Dobrar a distância reduz a taxa a um quarto. Teste abaixo.
Referência: 1 m da fonte, 10 min, sem blindagem (100%). A lei do inverso do quadrado vale para fonte pontual e serve como boa aproximação para radiação espalhada a partir de cerca de 1 m. Uma camada semirredutora é a espessura do material que reduz a intensidade à metade, e depende do material e da energia dos raios X.
Equipamentos de proteção
- Sala: paredes, porta e visor plumbífero dimensionados no projeto de blindagem. Nunca trabalhe com a porta aberta durante exposição.
- Avental plumbífero (equivalente a 0,25 ou 0,5 mm de chumbo), protetor de tireoide e óculos plumbíferos quando for preciso permanecer na sala. Eles atenuam a radiação espalhada. Não servem para ficar no feixe primário.
- Dosímetro individual: pessoal e intransferível. Use somente quando estiver trabalhando, na posição indicada pelo supervisor de proteção radiológica, e guarde-o fora de áreas com radiação e de fontes de calor.
Limites de dose
| Quem | Limite de dose efetiva |
|---|---|
| Trabalhador (IOE) | 20 mSv/ano em média por 5 anos, sem passar de 50 mSv em um único ano |
| Público | 1 mSv/ano |
Valores da norma brasileira de diretrizes básicas de proteção radiológica (CNEN NN 3.01). Os requisitos sanitários para serviços de radiodiagnóstico estão na regulamentação da Anvisa (por exemplo, a RDC 611/2022). Confira sempre a versão vigente.
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Conteúdo educativo da NDX Academy. Em qualquer intervenção no equipamento, siga o procedimento do fabricante e as normas de proteção radiológica em vigor.